SEGUNDA SEÇÃO
OS SETE SACRAMENTOS DA IGREJA
CAPÍTULO SEGUNDO
OS SACRAMENTOS DE CURA
1420.
Pelos sacramentos da iniciação cristã, o homem recebe a vida nova de Cristo. Ora,
esta vida, nós trazemo-la “em vasos de barro”. Por enquanto, ela está ainda “oculta
com Cristo em Deus” (Cl 3, 3). Vivemos ainda na “nossa morada terrena”, sujeita
ao sofrimento à doença e à morte. A vida nova de filhos de Deus pode ser enfraquecida
e até perdida pelo pecado.
1421.
O Senhor Jesus Cristo, médico das nossas almas e dos nossos corpos, que perdoou
os pecados ao paralítico e lhe restituiu a saúde do corpo quis que a sua Igreja
continuasse, com a força do Espírito Santo, a sua obra de cura e de salvação, mesmo
para com os seus próprios membros. É esta a finalidade dos dois sacramentos de cura:
o sacramente da Penitência e o da Unção dos enfermos.
O SACRAMENTO DA PENITÊNCIA E DA RECONCILIAÇÃO
1422.
“Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia de Deus
o perdão da ofensa a Ele feita e, ao mesmo tempo, são reconciliados com a Igreja,
que tinham ferido com o seu pecado, a qual, pela caridade, exemplo e oração, trabalha
pela sua conversão”.
I. Como se chama este sacramento?
1423.
É chamado sacramento da conversão, porque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus
à conversão e o esforço de regressar à casa do Pai da qual o pecador se afastou
pelo pecado.
É
chamado sacramento da Penitência, porque consagra uma caminhada pessoal e eclesial
de conversão, de arrependimento e de satisfação por parte do cristão pecador.
1424.
É chamado sacramento da confissão, porque o reconhecimento, a confissão dos pecados
perante o sacerdote é um elemento essencial deste sacramento. Em sentido profundo,
este sacramento é também uma “confissão”, reconhecimento e louvor da santidade de
Deus e da sua misericórdia para com o homem pecador.
E chamado sacramento
do perdão, porque, pela absolvição sacramental do sacerdote. Deus concede ao
penitente “o perdão e a paz”.
1425.
E chamado sacramento da Reconciliação, porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia:
“Deixai-vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20). Aquele que vive do amor misericordioso
de Deus está pronto para responder ao apelo do Senhor: “Vai primeiro reconciliar-te
com teu irmão” (Mt 5, 24).
II. Porquê, um sacramento de Reconciliação após o
Batismo?
1425.
“Vós fostes lavados, fostes santificados, fostes justificados pelo nome do Senhor
Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus” (1 Cor 6, 11). Precisamos de tomar consciência
da grandeza do dom de Deus que nos foi concedido nos sacramentos da iniciação cristã,
para nos apercebermos de até que ponto o pecado é algo de inadmissível para aquele
que foi revestido de Cristo. Mas o apóstolo São João diz também: “Se dissermos que
não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós” (1 Jo
1, 8). E o próprio Senhor nos ensinou a rezar: “Perdoai-nos as nossas ofensas” (Lc
11, 4), relacionando o perdão mútuo das nossas ofensas com o perdão que Deus concederá
aos nossos pecados.
1426.
A conversão a Cristo, o novo nascimento do Batismo, o dom do Espírito Santo, o corpo
e sangue de Cristo recebidos em alimento, tornaram-nos “santos e imaculados na sua
presença” (Ef 1, 4), tal como a própria Igreja, esposa de Cristo, é “santa e imaculada
na sua presença” (Ef 5, 27). No entanto, a vida nova recebida na iniciação cristã
não suprimiu a fragilidade e a fraqueza da natureza humana, nem a inclinação para
o pecado, a que a tradição chama concupiscência, a qual persiste nos batizados,
a fim de que prestem as suas provas no combate da vida cristã, ajudados pela graça
de Cristo. Este combate é o da conversão, em vista da santidade e da vida eterna,
a que o Senhor não se cansa de nos chamar.
III. A conversão dos batizados
1427.
Jesus chama à conversão. Tal apelo é parte essencial do anúncio do Reino: “O tempo
chegou ao seu termo, o Reino de Deus está próximo: convertei-vos e acreditai na
boa-nova” (Mc 1, 15). Na pregação da Igreja, este apelo dirige-se, em primeiro lugar,
àqueles que ainda não conhecem Cristo e o seu Evangelho. Por isso, o Batismo é o
momento principal da primeira e fundamental conversão. É pela fé na boa-nova e pelo
Batismo que se renuncia ao mal e se adquire a salvação, isto é, a remissão de todos
os pecados e o dom da vida nova.
1428.
Ora, o apelo de Cristo à conversão continua a fazer-se ouvir na vida dos cristãos.
Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que “contém
pecadores no seu seio” e que é, “ao mesmo tempo, santa e necessitada de purificação,
prosseguindo constantemente no seu esforço de penitência e de renovação”. Este esforço
de conversão não é somente obra humana. É o movimento do “coração contrito” atraído
e movido pela graça para responder ao amor misericordioso de Deus, que nos amou
primeiro.
1429.
Testemunho disto mesmo, é a conversão de Pedro, depois de três vezes ter negado
o seu mestre. O olhar infinitamente misericordioso de Jesus provoca-lhe lágrimas
de arrependimento e, depois da ressurreição do Senhor, a tríplice afirmação do seu
amor para com Ele. A segunda conversão tem, também, uma dimensão comunitária. Isto
aparece no apelo dirigido pelo Senhor a uma Igreja inteira: “Arrepende-te!” (Ap
2, 5-16).
Santo Ambrósio diz,
a respeito das duas conversões que, na Igreja, “existem a água e as lágrimas: a
água do Batismo e as lágrimas da Penitência”
IV. A penitência interior
1430.
Como já acontecia com os profetas, o apelo de Jesus à conversão e à penitência não
visa primariamente as obras exteriores, “o saco e a cinza”, os jejuns e as mortificações,
mas a conversão do coração, a penitência interior: Sem ela, as obras de penitência
são estéreis e enganadoras; pelo contrário, a conversão interior impele à expressão
dessa atitude cm sinais visíveis, gestos e obras de penitência.
1431.
A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um regresso, uma
conversão a Deus de todo o nosso coração, uma rotura com o pecado, uma aversão ao
mal, com repugnância pelas más ações que cometemos. Ao mesmo tempo, implica o desejo
e o propósito de mudar de vida, com a esperança da misericórdia divina e a confiança
na ajuda da sua graça. Esta conversão do coração é acompanhada por uma dor e uma
tristeza salutares, a que os Santos Padres chamaram “animi cruciatus (aflição do
espírito)”, “compunctio cordis (arrependimento do coração)”.
1432.
O coração do homem é pesado e endurecido. É necessário que Deus dê ao homem um coração
novo. A conversão é, antes de mais, obra da graça de Deus, a qual faz com que os
nossos corações se voltem para Ele: “Convertei-nos, Senhor, e seremos convertidos”
(Lm 5, 21). Deus é quem nos dá a coragem de começar de novo. É ao descobrir a grandeza
do amor de Deus que o nosso coração é abalado pelo horror e pelo peso do pecado,
e começa a ter receio de ofender a Deus pelo pecado e de estar separado dele. O
coração humano converte-se, ao olhar para aquele a quem os nossos pecados trespassaram.
“Tenhamos os olhos fixos
no sangue de Cristo e compreendamos quanto Ele é precioso para o seu Pai, pois que,
derramado para nossa salvação, proporcionou ao mundo inteiro a graça do arrependimento”.
1433.
Depois da Páscoa, é o Espírito Santo que “confunde o mundo no tocante ao pecado”,
isto é, faz ver ao mundo o pecado de não ter acreditado n’Aquele que o Pai enviou.
Mas este mesmo Espírito, que desmascara o pecado, é o Consolador que dá ao coração
do homem a graça do arrependimento e da conversão.
V. As múltiplas formas da penitência na vida cristã
1434.
A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura
e os Padres insistem sobretudo em três formas: o jejum, a oração e a esmola que
exprimem a conversão, em relação a si mesmo, a Deus e aos outros. A par da purificação
radical operada pelo Baptismo ou pelo martírio, citam, como meios de obter o perdão
dos pecados, os esforços realizados para se reconciliar com o próximo, as lágrimas
de penitência, a preocupação com a salvação do próximo, a intercessão dos santos
e a prática da caridade “que cobre uma multidão de pecados” (1 Pe 4, 8).
1435.
A conversão realiza-se na vida quotidiana por gestos de reconciliação, pelo cuidado
dos pobres, o exercício e a defesa da justiça e do direito, pela confissão das próprias
faltas aos irmãos, pela correção fraterna, a revisão de vida, o exame de consciência,
a direção espiritual, a aceitação dos sofrimentos, a coragem de suportar a perseguição
por amor da justiça. Tomar a sua cruz todos os dias e seguir Jesus é o caminho mais
seguro da penitência.
1436.
Eucaristia e Penitência. A conversão e a penitência quotidianas têm a sua fonte
e alimento na Eucaristia: porque na Eucaristia torna-se presente o sacrifício de
Cristo, que nos reconciliou com Deus: pela Eucaristia nutrem- se e fortificam-se
os que vivem a vida de Cristo: “ela é o antídoto que nos livra das faltas quotidianas
e nos preserva dos pecados mortais”.
1437.
A leitura da Sagrada Escritura, a oração da Liturgia das Horas e do Pai Nosso, todo
o ato sincero de culto ou de piedade reavivam em nós o espírito de conversão e de
penitência e contribuem para o perdão dos nossos pecados.
1438.
Os tempos e os dias de penitência no decorrer do Ano Litúrgico (tempo da Quaresma,
cada sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial
da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais,
as liturgias penitenciais, as peregrinações em sinal de penitência, as privações
voluntárias como o jejum e a esmola, a partilha fraterna (obras caritativas e missionárias).
1439
O dinamismo da conversão e da penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus
na parábola do “filho pródigo”, cujo centro é “o pai misericordioso”: o deslumbramento
duma liberdade ilusória e o abandono da casa paterna: a miséria extrema em que o
filho se encontra depois de delapidada a fortuna: a humilhação profunda de se ver
obrigado a guardar porcos e, pior ainda, de desejar alimentar-se das bolotas que
os porcos comiam: a reflexão sobre os bens perdidos: o arrependimento e a decisão
de se declarar culpado diante do pai: o caminho do regresso: o acolhimento generoso
por parte do pai: a alegria do pai: eis alguns dos aspectos próprios do processo
de conversão. O fato novo, o anel e o banquete festivo são símbolos desta vida nova,
pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta para Deus e para
o seio da família que é a Igreja. Só o coração de Cristo, que conhece a profundidade
do amor do seu Pai, pôde revelar-nos o abismo da sua misericórdia, de um modo tão
cheio de simplicidade e beleza.
VI. O sacramento da Penitência e da Reconciliação
1440.
O pecado é, antes de mais, ofensa a Deus, ruptura da comunhão com Ele. Ao mesmo
tempo, é um atentado contra a comunhão com a Igreja. É por isso que a conversão
traz consigo, ao mesmo tempo, o perdão de Deus e a reconciliação com a Igreja, o
que é expresso e realizado liturgicamente pelo sacramento da Penitência e Reconciliação.
SÓ DEUS PERDOA O PECADO
1441.
Só Deus perdoa os pecados. Jesus, porque é Filho de Deus, diz de Si próprio: “O
Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados” (Mc 2, 10) e exerce este
poder divino: “Os teus pecados são-te perdoados!” (Mc 2, 5). Mais ainda: em virtude
da sua autoridade divina, concede este poder aos homens para que o exerçam em seu
nome.
1442.
Cristo quis que a sua Igreja fosse, toda ela, na sua oração, na sua vida e na sua
atividade, sinal e instrumento do perdão e da reconciliação que Ele nos adquiriu
pelo preço do seu sangue. Entretanto, confiou o exercício do poder de absolvição
ao ministério apostólico. É este que está encarregado do “ministério da reconciliação”
(2 Cor 5, 18). O apóstolo é enviado “em nome de Cristo” e “é o próprio Deus” que,
através dele, exorta e suplica: “Deixai- vos reconciliar com Deus” (2 Cor 5, 20).
RECONCILIAÇÃO
COM A IGREJA
1443.
Durante a sua vida pública. Jesus não somente perdoou os pecados, como também manifestou
o efeito desse perdão: reintegrou os pecadores perdoados na comunidade do povo de
Deus, da qual o pecado os tinha afastado ou mesmo excluído. Sinal bem claro disso
é o facto de Jesus admitir os pecadores à sua mesa, e mais ainda: de se sentar à
mesa deles, gesto que exprime ao mesmo tempo, de modo desconcertante, o perdão de
Deus, e o regresso ao seio do povo de Deus.
1444.
Ao tornar os Apóstolos participantes do seu próprio poder de perdoar os pecados,
o Senhor dá-lhes também autoridade para reconciliar os pecadores com a Igreja. Esta
dimensão eclesial do seu ministério exprime- se, nomeadamente, na palavra solene
de Cristo a Simão Pedro: “Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus; tudo o que ligares
na terra ficará ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra ficará desligado
nos céus” (Mt 16, 19). “Este mesmo encargo de ligar e desligar, conferido a Pedro,
foi também atribuído ao colégio dos Apóstolos unidos à sua cabeça (Mt 18,18; 28,
16-20)”.
1445.
As palavras ligar e desligar significam: aquele que vós excluirdes da vossa comunhão,
ficará também excluído da comunhão com Deus; aquele que de novo receberdes na vossa
comunhão, também Deus o acolherá na sua. A reconciliação com a Igreja é inseparável
da reconciliação com Deus.
O SACRAMENTO DO PERDÃO
1446.
Cristo instituiu o sacramento da Penitência para todos os membros pecadores da sua
Igreja, antes de mais para aqueles que, depois do Baptismo, caíram em pecado grave
e assim perderam a graça baptismal e feriram a comunhão eclesial. É a eles que o
sacramento da Penitência oferece uma nova possibilidade de se converterem e de reencontrarem
a graça da justificação. Os Padres da Igreja apresentam este sacramento como “a
segunda tábua (de salvação), depois do naufrágio que é a perda da graça”.
1447.
No decorrer dos séculos, a forma concreta segundo a qual a Igreja exerceu este poder
recebido do Senhor variou muito. Durante os primeiros séculos, a reconciliação dos
cristãos que tinham cometido pecados particularmente graves depois do Batismo (por
exemplo: a idolatria, o homicídio ou o adultério) estava ligada a uma disciplina
muito rigorosa, segundo a qual os penitentes tinham de fazer penitência pública
pelos seus pecados, muitas vezes durante longos anos, antes de receberem a reconciliação.
A esta “ordem dos penitentes” (que apenas dizia respeito a certos pecados graves)
só raramente se era admitido e, em certas regiões, apenas uma vez na vida. Durante
século VII, inspirados pela tradição monástica do Oriente, os missionários irlandeses
trouxeram para a Europa continental a prática “privada” da penitência que não exigia
a realização pública e prolongada de obras de penitência, antes de receber a reconciliação
com a Igreja. O sacramento processa-se, a partir de então, dum modo mais secreto,
entre o penitente e o sacerdote. Esta nova prática previa a possibilidade da repetição
e abria assim o caminho a uma frequência regular deste sacramento. Permitia integrar,
numa só celebração sacramental, o perdão dos pecados graves e dos pecados veniais.
Nas suas grandes linhas, é esta forma de penitência que a Igreja tem praticado até
aos nossos dias.
1448.
Através das mudanças que a disciplina e a celebração deste sacramento têm conhecido
no decorrer dos séculos, distingue-se a mesma estrutura fundamental. Esta inclui
dois elementos igualmente essenciais: por um lado, os atos do homem que se converte
sob a ação do Espírito Santo, a saber, a contrição, a confissão e a satisfação:
por outro, a ação de Deus pela intervenção da Igreja. A Igreja que, por meio do
bispo e seus presbíteros, concede, em nome de Jesus Cristo, o perdão dos pecados
e fixa o modo da satisfação, também reza pelo pecador e faz penitência com ele.
Assim, o pecador á curado e restabelecido na comunhão eclesial.
1449.
A fórmula de absolvição, em uso na Igreja latina, exprime os elementos essenciais
deste sacramento: o Pai das misericórdias é a fonte de todo o perdão. Ele realiza
a reconciliação dos pecadores pela Páscoa do seu Filho e pelo dom do seu Espírito,
através da oração e do ministério da Igreja:
“Deus,
Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o
mundo consigo e enviou o Espírito Santo para a remissão dos pecados, te conceda,
pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E Eu te absolvo dos teus pecados em
nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”.
VII. Os atos do penitente
1450. “Poenitentia
cogit peccatorem omnia libenter sufferre; in corde eius contritio, in ore confessio,
in opere tota humilitas vel fructifera satisfactio – A penitência leva o pecador
a tudo suportar de bom grado: no coração, a contrição; na boca, a confissão; nas
obras, toda a humildade e frutuosa satisfação”.
A CONTRIÇÃO
1451.
Entre os atos do penitente, a contrição ocupa o primeiro lugar. Ela é “uma dor da
alma e uma detestação do pecado cometido, com o propósito de não mais pecar no futuro”.
1452.
Quando procedente do amor de Deus, amado sobre todas as coisas, a contrição é dita
”perfeita” (contrição de caridade). Uma tal contrição perdoa as faltas veniais:
obtém igualmente o perdão dos pecados mortais, se incluir o propósito firme de recorrer,
logo que possível, à confissão sacramental.
1453.
A contrição dita “imperfeita” (ou “atrição”) é, também ela, um dom de Deus, um impulso
do Espírito Santo. Nasce da consideração da fealdade do pecado ou do temor da condenação
eterna e das outras penas de que o pecador está ameaçado (contrição por temor).
Um tal abalo da consciência pode dar início a uma evolução interior, que será levada
a bom termo sob a ação da graça, pela absolvição sacramental. No entanto, por si
mesma, a contrição imperfeita não obtém o perdão dos pecados graves, mas dispõe
para obtê-lo no sacramento da Penitência.
1454.
É conveniente que a recepção deste sacramento seja preparada por um exame de consciência,
feito à luz da Palavra de Deus. Os textos mais adaptados para este efeito devem
procurar-se no Decálogo e na catequese moral dos evangelhos e das cartas dos Apóstolos:
sermão da montanha e ensinamentos apostólicos.
A CONFISSÃO DOS PECADOS
1455.
A confissão (a acusação) dos pecados, mesmo de um ponto de vista simplesmente humano,
liberta-nos e facilita a nossa reconciliação com os outros. Pela confissão, o homem
encara de frente os pecados de que se tornou culpado; assume a sua responsabilidade
e, desse modo, abre-se de novo a Deus e à comunhão da Igreja, para tornar possível
um futuro diferente.
1456.
A confissão ao sacerdote constitui uma parte essencial do sacramento da Penitência:
“Os penitentes devem, na confissão, enumerar todos os pecados mortais de que têm
consciência, após se terem seriamente examinado, mesmo que tais pecados sejam secretíssimos
e tenham sido cometidos apenas contra os dois últimos preceitos do Decálogo (47);
porque, por vezes, estes pecados ferem mais gravemente a alma e são mais perigosos
que os cometidos à vista de todos”:
“Quando
os fiéis se esforçam por confessar todos os pecados de que se lembram, não se pode
duvidar de que os apresentam todos ao perdão da misericórdia divina. Os que procedem
de modo diverso, e conscientemente ocultam alguns, esses não apresentam à bondade
divina nada que ela possa perdoar por intermédio do sacerdote. Porque, “se o doente
tem vergonha de descobrir a sua ferida ao médico, a medicina não pode curar o que
ignora””.
1457.
Segundo o mandamento da Igreja, “todo o fiel que tenha atingido a idade da discrição,
está obrigado a confessar fielmente os pecados graves, ao menos uma vez ao ano”.
Aquele que tem consciência de haver cometido um pecado mortal, não deve receber
a sagrada Comunhão, mesmo que tenha uma grande contrição, sem ter previamente recebido
a absolvição sacramental; a não ser que tenha um motivo grave para comungar e não
lhe seja possível encontrar-se com um confessor. As crianças devem aceder ao sacramento
da Penitência antes de receberem pela primeira vez a Sagrada Comunhão.
1458.
Sem ser estritamente necessária, a confissão das faltas quotidianas (pecados veniais)
é, contudo, vivamente recomendada pela Igreja. Com efeito, a confissão regular dos
nossos pecados veniais ajuda-nos a formar a nossa consciência, a lutar contra as
más inclinações, a deixarmo-nos curar por Cristo, a progredir na vida do Espírito.
Recebendo com maior frequência, neste sacramento, o dom da misericórdia do Pai,
somos levados a ser misericordiosos como Ele:
“Aquele
que confessa os seus pecados e os acusa, já está de acordo com Deus. Deus acusa
os teus pecados; se tu também os acusas, juntas-te a Deus. O homem e o pecador são,
por assim dizer, duas realidades distintas. Quando ouves falar do homem, foi Deus
que o criou: quando ouves falar do pecador, foi o próprio homem quem o fez. Destrói
o que fizeste, para que Deus salve o que fez. […] Quando começas a detestar o que
fizeste, é então que começam as tuas boas obras, porque acusas as tuas obras más.
O princípio das obras boas é a confissão das más. Praticaste a verdade e vens à
luz”.
A SATISFAÇÃO
1459.
Muitos pecados prejudicam o próximo. Há que fazer o possível por reparar esse dano
(por exemplo: restituir as coisas roubadas, restabelecer a boa reputação daquele
que foi caluniado, indemnizar por ferimentos). A simples justiça o exige. Mas, além
disso, o pecado fere e enfraquece o próprio pecador, assim como as suas relações
com Deus e com o próximo. A absolvição tira o pecado, mas não remedeia todas as
desordens causadas pelo pecado. Aliviado do pecado, o pecador deve ainda recuperar
a perfeita saúde espiritual. Ele deve, pois, fazer mais alguma coisa para reparar
os seus pecados: “satisfazer” de modo apropriado ou “expiar” os seus pecados. A
esta satisfação também se chama “penitência”.
1460.
A penitência que o confessor impõe deve ter em conta a situação pessoal do penitente
e procurar o seu bem espiritual. Deve corresponder, quanto possível, à gravidade
e natureza dos pecados cometidos. Pode consistir na oração, num donativo, nas obras
de misericórdia, no serviço do próximo, em privações voluntárias, sacrifícios e,
sobretudo, na aceitação paciente da cruz que temos de levar. Tais penitências ajudam-nos
a configurar-nos com Cristo, que, por si só, expiou os nossos pecados uma vez por
todas. Tais penitências fazem que nos tornemos coerdeiros de Cristo Ressuscitado,
“uma vez que também sofremos com Ele” (Rm 8, 17):
“Mas
esta satisfação, que realizamos pelos nossos pecados, não é possível senão por Jesus
Cristo: nós que, por nós próprios, nada podemos, com a ajuda “d’Aquele que nos conforta,
podemos tudo”. Assim, o homem não tem nada de que se gloriar. Toda a nossa “glória”
está em Cristo […] em quem nós satisfazemos, “produzindo dignos frutos de penitência”,
os quais vão haurir n’Ele toda a sua força, por Ele são oferecidos ao Pai, e graças
a Ele são aceites pelo Pai”.
VIII. O ministro deste sacramento
1461.
Uma vez que Cristo confiou aos Apóstolos o ministério da reconciliação os bispos,
seus sucessores, e os presbíteros, colaboradores dos bispos, continuam a exercer
tal ministério. Com efeito, os bispos e os presbíteros é que têm, em virtude do
sacramento da Ordem, o poder de perdoar todos os pecados, “em nome do Pai e do Filho
e do Espírito Santo”.
1462.
O perdão dos pecados reconcilia com Deus, mas também com a Igreja. O bispo, chefe
visível da Igreja particular, é justamente considerado, desde os tempos antigos,
como o principal detentor do poder e ministério da reconciliação: é o moderador
da disciplina penitencial. Os presbíteros, seus colaboradores, exercem-no na medida
em que receberam o respectivo encargo, quer do seu bispo (ou dum superior religioso),
quer do Papa, através do direito da Igreja.
1463.
Certos pecados particularmente graves são punidos pela excomunhão, a pena eclesiástica
mais severa, que impede a recepção dos sacramentos e o exercício de certos atos
eclesiásticos e cuja absolvição, por conseguinte, só pode ser dada, segundo o direito
da Igreja, pelo Papa, pelo bispo do lugar ou por sacerdotes por eles autorizados.
Em caso de perigo de morte, qualquer sacerdote, mesmo que careça da faculdade de
ouvir confissões, pode absolver de qualquer pecado e de toda a excomunhão.
1464.
Os sacerdotes devem exortar os fiéis a aproximarem-se do sacramento da Penitência;
e devem mostrar-se disponíveis para a celebração deste sacramento, sempre que os
cristãos o peçam de modo razoável.
1465.
Ao celebrar o sacramento da Penitência, o sacerdote exerce o ministério do bom Pastor
que procura a ovelha perdida: do bom Samaritano que cura as feridas; do Pai que
espera pelo filho pródigo e o acolhe no seu regresso; do justo juiz que não faz
acepção de pessoas e cujo juízo é, ao mesmo tempo, justo e misericordioso. Em resumo,
o sacerdote é sinal e instrumento do amor misericordioso de Deus para com o pecador.
1466.
O confessor não é dono, mas servidor do perdão de Deus. O ministro deste sacramento
deve unir-se à intenção e à caridade de Cristo. Deve ter um conhecimento comprovado
do comportamento cristão, experiência das coisas humanas, respeito e delicadeza
para com aquele que caiu; deve amar a verdade, ser fiel ao Magistério da Igreja,
e conduzir o penitente com paciência para a cura e a maturidade plena. Deve rezar
e fazer penitência por ele, confiando-o à misericórdia do Senhor.
1467.
Dada a delicadeza e a grandeza deste ministério e o respeito devido às pessoas,
a igreja declara que todo o sacerdote que ouve confissões está obrigado a guardar
segredo absoluto sobre os pecados que os seus penitentes lhe confessaram, sob penas
severíssimas. Tão pouco pode servir-se dos conhecimentos que a confissão lhe proporciona
sobre a vida dos penitentes. Este segredo, que não admite excepções, é chamado “sigilo
sacramental”, porque aquilo que o penitente manifestou ao sacerdote fica “selado”
pelo sacramento.
IX. Os efeitos deste sacramento
1468.
“Toda a eficácia da Penitência consiste em nos restituir à graça de Deus e em unir-nos
a Ele numa amizade perfeita”. O fim e o efeito deste sacramento são, pois, a reconciliação
com Deus. Naqueles que recebem o sacramento da Penitência com coração contrito e
disposição religiosa, podem usufruir “a paz e a tranquilidade da consciência, acompanhadas
duma grande consolação espiritual”. Com efeito, o sacramento da reconciliação com
Deus leva a uma verdadeira “ressurreição espiritual”, à restituição da dignidade
e dos bens próprios da vida dos filhos de Deus, o mais precioso dos quais é a amizade
do mesmo Deus.
1469.
Este sacramento reconcilia-nos com a Igreja. O pecado abala ou rompe a comunhão
fraterna. O sacramento da Penitência repara-a ou restaura-a. Nesse sentido, não
se limita apenas a curar aquele que é restabelecido na comunhão eclesial, mas também
exerce um efeito vivificante sobre a vida da Igreja que sofreu com o pecado de um
dos seus membros. Restabelecido ou confirmado na comunhão dos santos, o pecador
é fortalecido pela permuta de bens espirituais entre todos os membros vivos do corpo
de Cristo, quer vivam ainda em estado de peregrinos, quer já tenham atingido a pátria
celeste:
“É
de lembrar que a reconciliação com Deus tem como consequência, por assim dizer,
outras reconciliações, que trarão remédio a outras rupturas produzidas pelo pecado:
o penitente perdoado reconcilia-se consigo mesmo no mais profundo do seu ser, onde
recupera a própria verdade interior: reconcilia-se com os irmãos, que de algum modo
ofendeu e magoou: reconcilia-se com a Igreja; reconcilia-se com toda a criação”.
1470.
Neste sacramento, o pecador, remetendo-se ao juízo misericordioso de Deus, de certo
modo antecipa o julgamento a que será submetido no fim desta vida terrena. É aqui
e agora, nesta vida, que nos é oferecida a opção entre a vida e a morte. Só pelo
caminho da conversão é que podemos entrar no Reino de onde o pecado grave nos exclui?
Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé, o pecador passa da morte à vida
“e não é sujeito a julgamento” (Jo 5, 24).
X. As indulgências
1471.
A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos
efeitos do sacramento da Penitência.
O QUE É A INDULGÊNCIA?
“A
indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja
culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e
determinadas condições, pela ação da Igreja, a qual, enquanto dispensadora da redenção,
distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações de Cristo e dos
santos”. “A indulgência é parcial ou plenária, consoante liberta parcialmente ou
na totalidade da pena temporal devida ao pecado”. “O fiel pode lucrar para si mesmo
as indulgências […], ou aplicá-las aos defuntos”.
AS PENAS DO PECADO
1472.
Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, deve ter-se presente que
o pecado tem uma dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus
e, portanto, torna-nos incapazes da vida eterna, cuja privação se chama “pena eterna”
do pecado. Por outro lado, todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado
às criaturas, o qual precisa de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte,
no estado que se chama Purgatório. Esta purificação liberta do que se chama “pena
temporal” do pecado. Estas duas penas não devem ser consideradas como uma espécie
de vingança, infligida por Deus, do exterior, mas como algo decorrente da própria
natureza do pecado. Uma conversão procedente duma caridade fervorosa pode chegar
à total purificação do pecador, de modo que nenhuma pena subsista.
1473.
O perdão do pecado e o restabelecimento da comunhão com Deus trazem consigo a abolição
das penas eternas do pecado. Mas subsistem as penas temporais. O cristão deve esforçar-se
por aceitar, como uma graça, estas penas temporais do pecado, suportando pacientemente
os sofrimentos e as provações de toda a espécie e, chegada a hora, enfrentando serenamente
a morte: deve aplicar-se, através de obras de misericórdia e de caridade, bem como
pela oração e pelas diferentes práticas da penitência, a despojar-se completamente
do “homem velho” e a revestir-se do “homem novo”.
NA COMUNHÃO DOS SANTOS
1474.
O cristão que procura purificar-se do seu pecado e santificar-se com a ajuda da
graça de Deus, não se encontra só. “A vida de cada um dos filhos de Deus está ligada
de modo admirável, em Cristo e por Cristo, à vida de todos os outros irmãos cristãos,
na unidade sobrenatural do corpo Místico de Cristo, como que numa pessoa mística”.
1475.
Na comunhão dos santos, “existe, portanto, entre os fiéis – os que já estão na pátria
celeste, os que foram admitidos à expiação do Purgatório, e os que vivem ainda peregrinos
na terra – um constante laço de amor e uma abundante permuta de todos os bens”.
Nesta admirável permuta, a santidade de um aproveita aos demais, muito para além
do dano que o pecado de um tenha podido causar aos outros. Assim, o recurso à comunhão
dos santos permite ao pecador contrito ser purificado mais depressa e mais eficazmente
das penas do pecado.
1476.
A estes bens espirituais da comunhão dos santos, também lhes chamamos o tesouro
da Igreja, ”que não é um somatório de bens, como quando se trata das riquezas materiais
acumuladas no decurso dos séculos, mas sim o preço infinito e inesgotável que têm
junto de Deus as expiações e méritos de Cristo, nosso Senhor, oferecidos para que
a humanidade seja liberta do pecado e chegue à comunhão com o Pai. É em Cristo,
nosso Redentor, que se encontram em abundância as satisfações e os méritos da sua
redenção”.
1477.
“Pertencem igualmente a este tesouro o preço verdadeiramente imenso, incomensurável
e sempre novo que têm junto de Deus as orações e boas obras da bem-aventurada Virgem
Maria e de todos os santos, que se santificaram pela graça de Cristo, seguindo as
suas pegadas, e que realizaram uma obra agradável ao Pai; de modo que, trabalhando
pela sua própria salvação, igualmente cooperaram na salvação dos seus irmãos na
unidade do corpo Místico”.
OBTER A INDULGÊNCIA DE DEUS MEDIANTE A
IGREJA
1478.
A indulgência obtém-se mediante a Igreja que, em virtude do poder de ligar e desligar
que lhe foi concedido por Jesus Cristo, intervém a favor dum cristão e lhe abre
o tesouro dos méritos de Cristo e dos santos, para obter do Pai das misericórdias
o perdão das penas temporais devidas pelos seus pecados. É assim que a Igreja não
quer somente vir em ajuda deste cristão, mas também incitá-lo a obras de piedade,
penitência e caridade”.
1479.
Uma vez que os fiéis defuntos, em vias de purificação, também são membros da mesma
comunhão dos santos, nós podemos ajudá-los, entre outros modos, obtendo para eles
indulgências, de modo que sejam libertos das penas temporais devidas pelos seus
pecados.
XI. A celebração do sacramento da Penitência
1480.
Tal como todos os sacramentos, a Penitência é uma ação litúrgica. Ordinariamente,
os elementos da sua celebração são os seguintes: saudação e bênção do sacerdote,
leitura da Palavra de Deus para iluminar a consciência e suscitar a contrição e
exortação ao arrependimento: a confissão que reconhece os pecados e os manifesta
ao sacerdote; a imposição e aceitação da penitência; a absolvição do sacerdote;
o louvor de ação de graças e a despedida com a bênção do sacerdote.
1481.
A liturgia bizantina tem várias fórmulas de absolvição, em forma deprecativa, que
exprimem admiravelmente o mistério do perdão: “Deus, que pelo profeta Natan perdoou
a David, quando ele confessou os seus próprios pecados, a Pedro depois de ele ter
chorado amargamente, à pecadora depois de ela ter derramado lágrimas a seus pés,
ao publicano e ao pródigo, este mesmo Deus vos perdoe, por intermédio de mim pecador,
nesta vida e na outra, e vos faça comparecer, sem vos condenar no seu temível tribunal:
Ele que é bendito pelos séculos dos séculos. Amém”.
1482.
O sacramento da Penitência pode também ter lugar no âmbito duma celebração comunitária,
na qual se faz uma preparação conjunta para a confissão e conjuntamente se dão graças
pelo perdão recebido. Neste caso, a confissão pessoal dos pecados e a absolvição
individual são inseridas numa liturgia da Palavra de Deus, com leituras e homilia,
exame de consciência feito em comum, pedido comunitário de perdão, oração do Pai
Nosso e ação de graças em comum. Esta celebração comunitária exprime mais claramente
o carácter eclesial da penitência. No entanto, seja qual for a forma da sua celebração,
o sacramento da Penitência é sempre, por sua própria natureza, uma ação litúrgica,
portanto eclesial e pública.
1483.
Em casos de grave necessidade, pode-se recorrer à celebração comunitária da reconciliação,
com confissão geral e absolvição geral. Tal necessidade grave pode ocorrer quando
há perigo iminente de morte, sem que o sacerdote ou os sacerdotes tenham tempo suficiente
para ouvir a confissão de cada penitente. A necessidade grave pode existir também
quando, tendo em conta o número dos penitentes, não há confessores bastantes para
ouvir devidamente as confissões individuais num tempo razoável, de modo que os penitentes,
sem culpa sua, se vejam privados, durante muito tempo, da graça sacramental ou da
sagrada Comunhão. Neste caso, para a validade da absolvição, os fiéis devem ter
o propósito de confessar individualmente os seus pecados graves em tempo oportuno.
Pertence ao bispo diocesano julgar se as condições requeridas para a absolvição
geral existem. Uma grande afluência de fiéis, por ocasião de grandes festas ou de
peregrinações, não constitui um desses casos de grave necessidade.
1484.
“A confissão individual e íntegra e a absolvição constituem o único modo ordinário
pelo qual o fiel, consciente de pecado grave, se reconcilia com Deus e com a Igreja:
somente a impossibilidade física ou moral o escusa desta forma de confissão”. Há
razões profundas para que assim seja. Cristo age em cada um dos sacramentos. Ele
dirige-Se pessoalmente a cada um dos pecadores: “Meu filho, os teus pecados são-te
perdoados” (Mc 2, 5); Ele é o médico que se inclina sobre cada um dos doentes com
necessidade dele para os curar: alivia-os e reintegra-os na comunhão fraterna. A
confissão pessoal é, pois, a forma mais significativa da reconciliação com Deus
e com a Igreja.
Resumindo:
1485.
“Na tarde da Páscoa, o Senhor Jesus apareceu aos seus Apóstolos e disse-lhes: “Recebei
o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados serão perdoados; e àqueles
a quem os retiverdes lhes serão retidos”” (Jo 20, 22-23).
1486.
0 perdão dos pecados cometidos depois do Baptismo é concedido por meio dum sacramento
próprio, chamado sacramento da Conversão, da Confissão, da Penitência ou da Reconciliação.
1487.
Quem peca, ofende a honra de Deus e o seu amor, a sua própria dignidade de homem
chamado a ser filho de Deus, e o bem-estar espiritual da Igreja, da qual cada fiel
deve ser pedra viva.
1488.
Aos olhos da fé, não existe mal mais grave do que o pecado; nada tem piores consequências
para os próprios pecadores, para a Igreja e para todo o mundo.
1489.
Voltar à comunhão com Deus, depois de a ter perdido pelo pecado, é um movimento
nascido da graça do mesmo Deus misericordioso e cheio de interesse pela salvação
dos homens. Deve pedir-se esta graça preciosa, tanto para si mesmo como para os
outros.
1490.
O movimento de regresso a Deus, pela conversão e arrependimento, implica dor e aversão
em relação aos pecados cometidos, e o propósito firme de não tornar a pecar no futuro.
Portanto, a conversão refere-se ao passado e ao futuro: alimenta-se da esperança
na misericórdia divina.
1491.
O sacramento da Penitência é constituído pelo conjunto de três atos realizados pelo
penitente e pela absolvição do sacerdote. Os atos do penitente são: o arrependimento,
a confissão ou manifestação dos pecados ao sacerdote e o propósito de cumprir a
reparação e as obras de reparação.
1492.
O arrependimento (também chamado contrição) deve inspirar-se em motivações que brotam
da fé. Se for motivado pelo amor de caridade para com Deus, diz-se “perfeito”; se
fundado em outros motivos, diz-se “imperfeito”.
1493.
Aquele que quer obter a reconciliação com Deus e com a Igreja, deve confessar ao
sacerdote todos os pecados graves que ainda não tiver confessado e de que se lembre
depois de ter examinado cuidadosamente a sua consciência. A confissão das faltas
veniais, sem ser em si necessária, é, todavia, vivamente recomendada pela Igreja.
1494.
O confessor propõe ao penitente o cumprimento de certos atos de “satisfação” ou
“penitência”, com o fim de reparar o mal causado pelo pecado e restabelecer os hábitos
próprios dum discípulo de Cristo.
1495.
Só os sacerdotes que receberam da autoridade da Igreja a faculdade de absolver;
podem perdoar os pecados em nome de Cristo.
1496.
Os efeitos espirituais do sacramento da Penitência são:
– a reconciliação com Deus, pela qual o penitente
recupera a graça;
– a reconciliação com a Igreja;
– a remissão da pena eterna, em que incorreu
pelos pecados mortais;
– a remissão, ao menos em parte, das penas
temporais, consequência do pecado;
– a paz e a serenidade da consciência e a consolação
espiritual;
– o acréscimo das forças espirituais para o
combate cristão.
1497.
A confissão individual e integral dos pecados graves, seguida da absolvição, continua
a ser o único meio ordinário para a reconciliação com Deus e com a Igreja.
1495.
Por meio das indulgências, os fiéis podem obter para si próprios, e também para
as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, consequência do pecado.
A
UNÇÃO DOS ENFERMOS
1499.
“Pela santa Unção dos Enfermos e pela oração dos presbíteros, toda a Igreja encomenda
os doentes ao Senhor, sofredor e glorificado, para que os alivie e os salve: mais
ainda, exorta-os a que, associando-se livremente à paixão e morte de Cristo, concorram
para o bem do povo de Deus”.
I.
I. Os seus fundamentos
na economia da salvação
A DOENÇA NA VIDA HUMANA
1500.
A doença e o sofrimento estiveram sempre entre os problemas mais graves que afligem
a vida humana. Na doença, o homem experimenta a sua incapacidade, os seus limites,
a sua finitude. Qualquer enfermidade pode fazer-nos entrever a morte.
1501.
A doença pode levar à angústia, ao fechar-se em si mesmo e até, por vezes, ao desespero
e à revolta contra Deus. Mas também pode tornar uma pessoa mais amadurecida, ajudá-la
a discernir, na sua vida, o que não é essencial para se voltar para o que o é. Muitas
vezes, a doença leva à busca de Deus, a um regresso a Ele.
O DOENTE PERANTE DEUS
1502.
O homem do Antigo Testamento vive a doença à face de Deus. É diante de Deus que
desafoga o seu lamento pela doença que lhe sobreveio e é dele. Senhor da vida e
da morte, que implora a cura. A doença torna-se caminho de conversão e o perdão
de Deus dá início à cura. Israel faz a experiência de que a doença está, de modo
misterioso, ligada ao pecado e ao mal, e de que a fidelidade a Deus em conformidade
com a sua Lei restitui a vida: “porque Eu, o Senhor, é que sou o teu médico” (Ex
15, 26). O profeta entrevê que o sofrimento pode ter também um sentido redentor
pelos pecados dos outros. Finalmente, Isaías anuncia que Deus fará vir para Sião
um tempo em que perdoará todas as faltas e curará todas as doenças.
CRISTO-MÉDICO
1503.
A compaixão de Cristo para com os doentes e as suas numerosas curas de enfermos
de toda a espécie são um sinal claro de que “Deus visitou o seu povo” e de que o
Reino de Deus está próximo. Jesus tem poder não somente para curar, mas também para
perdoar os pecados: veio curar o homem na sua totalidade, alma e corpo: é o médico
de que os doentes precisam. A sua compaixão para com todos os que sofrem vai ao
ponto de identificar-Se com eles: “Estive doente e visitastes-Me” (Mt 25, 36). O
seu amor de predileção para com os enfermos não cessou, ao longo dos séculos, de
despertar a atenção particular dos cristãos para aqueles que sofrem no corpo ou
na alma. Ele está na origem de incansáveis esforços para os aliviar.
1504.
Frequentemente, Jesus pede aos doentes que acreditem. Serve- se de sinais para curar:
saliva e imposição das mãos, lodo e lavagem. Por seu lado, os doentes procuram tocar-Lhe,
“porque saía d’Ele uma força que a todos curava” (Lc 6, 19). Por isso, nos sacramentos,
Cristo continua a “tocar-nos” para nos curar.
1505.
Comovido por tanto sofrimento, Cristo não só se deixa tocar pelos doentes, como
também faz suas as misérias deles: “Tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou
com as nossas doenças” (Mt 8, 17). Ele não curou todos os doentes. As curas que
fazia eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a
vitória sobre o pecado e sobre a morte, mediante a sua Páscoa. Na cruz, Cristo tomou
sobre Si todo o peso do mal e tirou “o pecado do mundo” (Jo 1, 29), do qual a doença
não é mais que uma consequência. Pela sua paixão e morte na cruz. Cristo deu novo
sentido ao sofrimento: desde então este pode configurar-nos com Ele e unir-nos à
sua paixão redentora.
“CURAI OS ENFERMOS…”
1506.
Cristo convida os discípulos a seguirem-no, tomando a sua cruz. Seguindo-o, eles
adquirem uma nova visão da doença e dos doentes. Jesus associa-os à sua vida pobre
e servidora. Fá-los participar no seu ministério de compaixão e de cura: E eles
“partiram e pregaram que era preciso cada um arrepender-se. Expulsavam muitos demónios,
ungiam com óleo numerosos doentes, e curavam-nos” (Mc 6, 12-13).
1507.
O Senhor ressuscitado renova esta missão (“em Meu nome… quando impuseram as mãos
aos doentes, e estes ficarão curados”: Mc 16, 1 7-18) e confirma-a por meio dos
sinais que a Igreja realiza invocando o seu nome. Estes sinais manifestam de modo
especial, que Jesus é verdadeiramente “Deus que salva”.
1508.
O Espírito Santo confere a alguns o carisma especial de poderem curar para manifestar
a força da graça do Ressuscitado. Todavia, nem as orações mais fervorosas obtêm
sempre a cura de todas as doenças. Assim, São Paulo deve aprender do Senhor que
“a minha graça te basta: pois na fraqueza é que a minha força atua plenamente” (2
Cor 12, 9), e que os sofrimentos a suportar podem ter como sentido que “eu complete
na minha carne o que falta à paixão de Cristo, em benefício do seu corpo, que é
a Igreja” (Cl 1, 24).
1509.
“Curai os enfermos!” (Mt 10, 8). A Igreja recebeu este encargo do Senhor e procura
cumpri-lo, tanto pelos cuidados que dispensa aos doentes, como pela oração de intercessão
com que os acompanha. Ela “crê na presença vivificante de Cristo, médico das almas
e dos corpos, presença que age particularmente através dos sacramentos e de modo
muito especial da Eucaristia, pão que dá a vida eterna e cuja ligação com a saúde
corporal é insinuada por São Paulo.
1510.
Entretanto, a Igreja dos Apóstolos conhece um rito próprio em favor dos enfermos,
atestado por São Tiago: “Alguém de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja
para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará
o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados”
(Tg 5, 14-15). A Tradição reconheceu neste rito um dos sete sacramentos da Igreja.
UM SACRAMENTO DOS ENFERMOS
1511.
A Igreja crê e confessa que, entre os sete sacramentos, há um, especialmente destinado
a reconfortar os que se encontram sob a provação da doença: a Unção dos enfermos:
“Esta santa unção dos
enfermos foi instituída por Cristo nosso Senhor como sacramento do Novo Testamento,
verdadeira e propriamente dito, insinuado por São Marcos (120), mas recomendado
aos fiéis e promulgado por São Tiago, apóstolo e irmão do Senhor”.
1512.
Na tradição litúrgica, tanto no Oriente como no Ocidente, temos, desde os tempos
antigos, testemunhos de unções de doentes praticadas com óleo benzido. No decorrer
dos séculos, a Unção dos enfermos começou a ser conferida cada vez mais exclusivamente
aos que estavam prestes a morrer. Por causa disso, fora-lhe dado o nome de “Extrema-Unção”.
Porém, apesar dessa evolução, a liturgia nunca deixou de pedir ao Senhor pelo doente,
para que recuperasse a saúde, se tal fosse conveniente para a sua salvação.
1513.
A Constituição Apostólica ”Sacram Unctionem Infirmorum”, de 30 de Novembro de 1972,
na sequência do II Concílio do Vaticano, estabeleceu que, a partir de então, se
observasse o seguinte no rito romano:
“O sacramento da Unção
dos Enfermos é conferido aos que se encontram enfermos com a vida em perigo, ungindo-os
na fronte e nas mãos com óleo de oliveira ou, segundo as circunstância, com outro
óleo de origem vegetal, devidamente benzido, proferindo uma só vez, as palavras:
“Por esta santa unção e pela sua infinita misericórdia o Senhor venha em teu auxílio
com a graça do Espírito Santo, para que, liberto dos teus pecados, Ele te salve
e, na sua bondade, alivie os teus sofrimentos””.
II.
II. Quem recebe e quem administra
este sacramento?
EM CASO DE GRAVE ENFERMIDADE…
1514.
A Unção dos Enfermos “não é sacramento só dos que estão prestes a morrer. Por isso,
o tempo oportuno para a receber é certamente quando o fiel começa, por doença ou
por velhice, a estar em perigo de morte”.
1515.
Se um doente que recebeu a Unção recupera a saúde, pode, em caso de nova enfermidade
grave, receber outra vez este sacramento. No decurso da mesma doença, este sacramento
pode ser repetido se o mal se agrava. É conveniente receber a Unção dos Enfermos
antes duma operação cirúrgica importante. E o mesmo se diga a respeito das pessoas
de idade, cuja fragilidade se acentua.
“… CHAME OS PRESBÍTEROS
DA IGREJA”
1516.
Só os sacerdotes (bispos e presbíteros) são ministros da Unção dos Enfermos. É dever
dos pastores instruir os fiéis acerca dos benefícios deste sacramento. Que os fiéis
animem os enfermos chamarem o sacerdote para receberem este sacramento. E que os
doentes se preparem para o receber com boas disposições, com a ajuda do seu pastor
e de toda a comunidade eclesial, convidada a rodear, de um modo muito especial,
os doentes, com as suas orações e atenções fraternas.
III.
Como é celebrado este
sacramento?
1517.
Como todos os sacramentos, a Unção dos Enfermos é uma celebração litúrgica e comunitária
quer tenha lugar no seio da família, quer no hospital ou na igreja, para um só doente
ou para um grupo deles. É muito conveniente que seja celebrada durante a Eucaristia,
memorial da Páscoa do Senhor. Se as circunstâncias a tal convidarem, a celebração
do sacramento pode ser precedida pelo sacramento da Penitência e seguida pelo da
Eucaristia. Enquanto sacramento da Páscoa de Cristo, a Eucaristia deveria ser sempre
o último sacramento da peregrinação terrestre, o “viático” da “passagem” para a
vida eterna.
1518.
Palavra e sacramento formam um todo inseparável. A liturgia da Palavra, precedida
dum ato penitenciai, abre a celebração. As palavras de Cristo e o testemunho dos
Apóstolos despertam a fé do doente e da comunidade, para pedir ao Senhor a força
do seu Espírito.
1519.
A celebração do sacramento compreende principalmente os seguintes elementos: “Os
presbíteros da Igreja” impõem em silêncio – as mãos sobre os enfermos; rezam por
eles na fé da Igreja; é a epiclese própria deste sacramento; então, conferem a unção
com óleo, benzido, se possível, pelo bispo. Estes atos litúrgicos indicam a graça
que este sacramento confere aos doentes.
II. IV. Os efeitos da celebração
deste sacramento
1520.
Um dom particular do Espírito Santo. A primeira graça deste sacramento é uma graça
de reconforto, de paz e de coragem para vencer as dificuldades próprias do estado
de doença grave ou da fragilidade da velhice. Esta graça é um dom do Espírito Santo,
que renova a confiança e a fé em Deus, e dá força contra as tentações do Maligno,
especialmente a tentação do desânimo e da angústia da morte. Esta assistência do
Senhor pela força do seu Espírito visa levar o doente à cura da alma, mas também
à do corpo, se tal for a vontade de Deus. Além disso, “se ele cometeu pecados, serão
perdoados” (Tg 5, 15).
1521.
A união à paixão de Cristo. Pela graça deste sacramento, o enfermo recebe a força
e o dom de se unir mais intimamente à paixão de Cristo: ele é, de certo modo, consagrado
para produzir frutos pela configuração com a paixão redentora do Salvador. O sofrimento,
sequela do pecado original, recebe um sentido novo: transforma-se em participação
na obra salvífica de Jesus.
1522.
Uma graça eclesial. Os doentes que recebem este sacramento, “associando-se livremente
à paixão e morte de Cristo, concorrem para o bem do povo de Deus”. Ao celebrar este
sacramento, a Igreja, na comunhão dos santos, intercede pelo bem do doente. E o
doente, por seu lado, pela graça deste sacramento, contribui para a santificação
da Igreja e para o bem de todos os homens, pelos quais a Igreja sofre e se oferece,
por Cristo, a Deus Pai.
1523.
Uma preparação para a última passagem. Se o sacramento da Unção dos Enfermos é concedido
a todos os que sofrem de doenças e enfermidades graves, com mais razão ainda
cabe aos que estão prestes a deixar esta vida (“in exitu vitae
constitut”): de modo
que também foi chamado “sacramentum exeuntium” – sacramento
dos que partem”. A Unção dos Enfermos completa a nossa conformação com a morte e
ressurreição de Cristo, tal como o Batismo a tinha começado. Leva à perfeição as
unções santas que marcam toda a vida cristã: a do Batismo selara em nós a vida nova:
a da Confirmação robustecera-nos para o combate desta vida; esta última unção mune
o fim da nossa vida terrena como que de um sólido escudo em vista das últimas batalhas,
antes da entrada na Casa do Pai.
III.
V. O Viático, último sacramento
do cristão
1524.
Àqueles que vão deixar esta vida, a Igreja oferece-lhes, além da Unção dos Enfermos,
a Eucaristia como viático. Recebida neste momento de passagem para o Pai, a comunhão
do corpo, e sangue de Cristo tem um significado e uma importância particulares.
É semente de vida eterna e força de ressurreição, segundo as palavras do Senhor:
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna: e Eu ressuscitá-lo-ei
no último dia” (Jo 6, 54). Sacramento de Cristo morto e ressuscitado, a Eucaristia
é aqui sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai.
1525.
Assim, do mesmo modo que os sacramentos do Baptismo, da Confirmação e da Eucaristia
constituem uma unidade chamada “os sacramentos da iniciação cristã”, também pode
dizer-se que a Penitência, a Santa Unção e a Eucaristia, como viático, constituem,
quando a vida do cristão chega ao seu termo, “os sacramentos que preparam a entrada
na Pátria” ou os sacramentos com que termina a peregrinação.
Resumindo:
1526.
“Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele,
ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor
o aliviará. E, se tiver cometido pecados, serão perdoados” (Tg 5, 14-15).
1527.
0 sacramento da Unção dos Enfermos tem por finalidade conferir uma graça especial
ao cristão que enfrenta as dificuldades inerentes ao estado de doença grave ou de
velhice.
1528.
0 tempo oportuno para receber a Santa Unção chegou certamente quando o fiel começa
a encontrar-se em perigo de morte, devido a doença ou a velhice.
1529.
Todas as vezes que um cristão cai gravemente enfermo, pode receber a Santa Unção;
e também quando, mesmo depois de a ter recebido, a doença se agrava.
1530.
Só os sacerdotes (presbíteros e bispos) podem ministrar o sacramento da Unção dos
Enfermos; para isso, empregarão óleo benzido pelo bispo ou, em caso de necessidade,
pelo próprio presbítero celebrante.
1531.
0 essencial da celebração deste sacramento consiste na unção na fronte e nas mãos
do doente (no rito romano) ou sobre outras partes do corpo (no Oriente), unção acompanhada
da oração litúrgica do sacerdote celebrante que pede a graça especial deste sacramento.
1532.
A graça especial do sacramento da Unção dos Enfermos tem como efeitos:
– a união do doente à paixão de Cristo, para
o seu bem e para o de toda a Igreja;
– o conforto, a paz e a coragem para suportar
cristãmente os sofrimentos da doença ou da velhice;
– o perdão dos pecados, se o doente não pôde
obtê-lo pelo sacramento da Penitência;
– o restabelecimento da saúde, se tal for conveniente
para a salvação espiritual;
– a preparação para a passagem para vida eterna.