Faça o uso
correto da internet na catequese, foque sempre na evangelização!
A internet na catequese pode ser uma
forte aliada para a evangelização de seus catequizandos. É certo que a internet
trouxe um novo parâmetro para a era do conhecimento. Já se fala da configuração
do continente virtual ou sexto continente. Diferenciado dos outros, destituído
das tradicionais barreiras geográficas territoriais, possui território e idioma
quase que próprios. Seu uso vem modificando os critérios de comunicação do planeta,
em termos de relacionamentos, trabalho, economia e política. Um espaço sem
barreiras étnicas ou geográficas, mas promotor da diferenciação no modo de
pensar, agir e conceber o mundo. Entretanto, é o advento imediato da era
“tecnotrônica”, que incita a convocar pessoas para um novo humanismo.
A Web está mudando o modo de ver o
mundo. Paralelamente à cultura tradicional, vive-se a chamada cultura virtual.
Esta possibilita que a informação flua em minutos, atingindo indivíduos de
diferentes padrões, em todos os lugares. Ocorre verdadeira mudança de
mentalidade e de sentido de viver.
A dimensão
missionária eclesial vê-se compelida a evangelizar, enquadrando-se também nesse
novo continente, abrangendo toda a extensão de sua territorialidade virtual. Um
continente cujo teclado e o mouse são suas chaves, mas ainda carente de
projetos de evangelização. Quem não faz uso desta chave, não adentra seu
espaço. Todo evangelizador deve, portanto, aprender a atuar no âmbito desse
novo continente. Cai por terra a mentalidade territorialista cuja premissa diz:
“Esta é minha paróquia, meu público, meus fiéis”. Abre-se agora um leque enorme
de contato com o mundo.
Custos baixos de operacionalização
O Documento
de Puebla afirma que evangelizar é comunicar (Puebla, 1979, n.1064). A internet
na catequese é uma grande ferramenta de comunicação e traz dimensões
importantes e positivas para a evangelização atual. Além de ser um meio eficaz
de distribuição, possui custos baixos. O jornal escrito ou revista envolve o
uso de papel, tinta, máquinas de impressão, editores, entregadores, etc. O
rádio normal precisa de transmissores, espaços de estúdio e mão de obra
operacional. Quanto à televisão, nem se fala. Já a Internet, dispensa muitos
dos elementos próprios dos meios convencionais, o que faz baratear sua
veiculação. Sem descartar os outros meios, vale a pena investir nela. Nada,
porém, deve ser feito sem um planejamento, levantamento das situações e dificuldades,
e de que forma se pretende atingir as pessoas que interagem na rede. Contudo,
não se trata de simplesmente fazer por fazer, mas fazer para valer.
Como
evangelizar nesse mundo virtual?
Fórmulas
prontas não há, mas há pontos de partidas. Dissemos acima que se configura no
mundo o continente virtual. Forma-se, a partir dele uma nova cultura – a
cultura dos teclados e mouses – com idioma e costumes quase próprios. Sendo
preciso fluir o evangelho pelos telhados, torna-se mais do que necessário
fluí-lo também pelos teclados, mas de modo certeiro e convincente. Sendo assim,
será difícil evangelizar nesse continente se não houver preparação para isso.
Disse Jesus: “Deixem as redes e os
farei pescadores de homens”. O pedido significava deixar as redes para
evangelizar. Hoje, numa releitura, somos chamados de volta às “redes”, para
evangelizar, mas agora “redes virtuais”. Elas nos levam às águas mais profundas.
As redes espalham-se pelo mundo e instalam–se em todos os lugares, como cipós
capilares. Adotam um conceito cristão, ponto a favor da evangelização: as
comunidades.
Tornou-se febre as comunidades ou
redes de relacionamento: chats, facebook, messenger, twitter e outros. São
ferramentas de grande valia para a evangelização. Distribuem informações em
segundos, a quem possa interessar. Mensagens e palavras de fé podem ser
veiculadas ali. Mas, antes de somente distribuir informação, é preciso tomar
cuidado para que a informação não seja apenas mais uma. Precisa ser algo
pensado, refletido, de modo que atraia e seduza. Portanto, o evangelho merece
ser bem anunciado, ainda mais nessa nova cultura que tem excelentes e modernos
recursos.
Observe 4 ações
importantes:
1. Quando colocamos um site na rede, delimitando nosso
espaço nesse novo continente, não é somente para promover nossa pessoa,
comunidade ou paróquia, sim para evangelizar o mundo.
2. O material apresentado precisa ser pensado a partir do
mundo, não somente a partir do nosso território.
3. Nosso conteúdo é centralizado em Jesus Cristo e seu
Reino.
4. Deve estar presente em toda informação e tecnologia, de
modo incisivo e permanente, de diferentes maneiras. Isso depende dos cristãos
em todas as áreas. Um desafio que exige mudança de mentalidade e mentalidade de
mudança na evangelização.
Em resumo, a internet exige conversão
pastoral, caso contrário, o evangelho jamais irá penetrá-la. Evangelizar nesse
novo continente exige ter presente duas dimensões: virtual e presencial. A
evangelização evidencia de modo especial o presencial. O virtual é
globalizante, o presencial é personalizante e humanizante. Pelo virtual se
globaliza, mas nem sempre se humaniza. Pelo presencial se humaniza, e também é
possível se globalizar. Sendo assim, crianças, adolescentes e jovens “plugados”
vivem mais o virtual que o presencial, se distanciando do mundo. Evangelizar na
rede é, pelo virtual, trazê-los de volta ao presencial, ao mundo real.
Comunique a Palavra de Deus
As melhores
intenções, os sentimentos mais nobres, os equipamentos mais modernos, as
melhores teorias e os conceitos mais extraordinários são improdutivos na
evangelização quando não se conquistam pessoas. Comunicar a Palavra de Deus
requer testemunho, clareza, objetivos e, principalmente, novidades que
despertem e causem impacto. É importante acreditar no que se anuncia e não se
esconder em pseudônimos. Tudo que se veicula na rede precisa se submeter a
valores éticos humanistas. É hora de voltar aos grandes moralistas e lembrar
que a técnica sem ética pode destruir a humanidade. A comunicação do evangelho,
em qualquer ambiente, precisa ajudar o ser humano, não somente como indivíduo,
mas como comunidade.
Mais do que nunca, chegou também a
hora e vez dos leigos integrarem esse novo continente de evangelização e
mostrar seu potencial. Portanto, todos são chamados a discípulos missionários
desse novo continente, mostrando que a Igreja não é somente usuária da
informação e tecnologia, mas produtora de tecnologia e informação em prol do
Reino.
Fonte: Revista Paróquias,
ed. 27.
