"Porque guardando as portas da
alma, isto é, os sentidos, igualmente se guarda e aumenta a tranquilidade e
pureza dela". (São João
da Cruz)
Dito esta frase deste grande
doutor da doutrina católica, vamos refletir onde ela se encaixa na missão
catequética.
A vocação do catequista é
grandiosa! Para muitas das crianças, jovens ou adultos catequizados, o
catequista é considerado o único modelo de fé em seu convívio. Sendo assim,
vale lembrar que toda fala, todo gesto, todo sorriso ou cara feia é por eles
gravado e transformado em memórias que possivelmente ficarão registradas em seu
subconsciente. E um dia, por si próprios poderão formar a sua opinião do
sentido da fé e da sua existência. Catequista tem poder de marcar história
também.
É evidente que o catequista
precisa ser prudente em sua missão. Deve cuidar-se, amar-se, fortalecer-se na
graça diante de Deus. Precisa estar em Deus. Precisa sentir o amor de Deus para
poder transmiti-lo. E para que tudo isso ocorra dentro de si, o catequista
precisa cuidar do que "alimenta-se". O que tem entrado pela porta de
sua alma catequista? Que músicas tem ouvido? Que programas ou filmes tem visto
e recomendado? Que aromas tem sentido? Só de rosas ou o aroma do catequizando
sem desodorante que bate à sua porta? Quais suas leituras? De que tem falado
fora do seu compromisso catequético? E o que fala na catequese tem aderido em
sua vivencia?
Inúmeras perguntas poderiam ser
feitas para nos levar a uma abertura à reflexão desta entrada da alma. Nossos
sentidos podem nos proporcionar diversificadas sensações, gostos, aromas e
descobertas, porém nem tudo nos convém. O senhor nos orienta a orar e vigiar
sempre. O catequista mais do que nunca!
A oração deve ser o guardião desta santa
porta da alma. É esse vigia que fará perguntas aos diversos sentidos que nos
são apresentando constantemente. E, em oração o catequista terá resposta divina
para abertura ou não da porta da alma. Jesus fez isso! Todas as vezes que se
sentiu ameaçado, retirou-se no silencio e orou. Ele sentiu fome no deserto e o
sentido do paladar foi atiçado. O seu ideal era o jejum para Deus. Sua alma
tinha esse objetivo, e Jesus concretizou fechando a porta da alma para a
tentação ao seu paladar, clamando a Deus. E ele conseguiu? Sim, ele fechou a
porta com autoridade.
Jesus foi tentado a opinar sobre
uma adultera em público. Seu sentido foi novamente atiçado. Ele se pôs em
silencio e em seu coração orou. A porta da alma foi fechada para as tentações e
ele brilhou na resposta diante daqueles que o queriam envergonhar. Jesus foi
mestre no controle de entradas e saídas da porta de sua alma, por isso
transmitia tranquilidade, pureza, paz e mansidão. Ele é o mestre dos mestres!
E se Jesus não tivesse filtrado
os sentidos que adentrariam em sua alma? Acredita-se que não teria sido digno
da vitória na cruz. Talvez, não tivesse chegado lá sufocado pelo sentido do
medo, da dor e da vergonha do povo que o crucificara dias depois de o terem
aclamado como rei na entrada a Jerusalém.
Catequista tem como vocação
evangelizar. Evangelizar é falar de Jesus. Para falar de Jesus é necessário
ama-lo e segui-lo. Portanto, todo catequista que queira cuidar de sua alma,
deve olhar para o mestre e vigiar a porta de entrada da sua alma. A Palavra de
Deus nos ensina e passa detalhes minuciosos para tal. Basta ter aquele encontro
pessoal com o mestre todo momento que for possível.
Você catequista precisa mostrar
a pureza de sua alma. Que sua alma seja tão semelhante à de Jesus, ao ponto de
que você precise de poucas palavras para evangelizar. Que seus sentidos
transpareçam o Jesus que pregamos e despertem curiosidade aos seus
catequizandos. Que você tenha a graça do discernimento em suas escolhas.
Lembre-se que tudo posso, mas nem tudo me convém. Que a pureza de sua alma seja
tão perfeita ao ponto de ser referencial para os que virão depois de
você.
Jesus apontou o caminho para os
que viriam depois dele. Aqui estamos! Agora é sua vez de apontar o caminho para
os que ainda não conhecem ou desejam conhecer melhor o mestre do amor: Jesus.
