De autoria do sacerdote português
José Tolentino de Mendonça, e intitulada “Aprendizes do estupor”, a reflexão
propôs citações de Simone Weil, Eduardo Galiano, Tolstoj e Fernando Pessoa.
Como anunciado por ele mesmo após a oração do Angelus e com seu
tuíte do dia, o Papa Francisco deixou o Vaticano domingo (18/02) e se dirigiu a
Ariccia, sudeste de Roma, aonde por uma semana, permanecerá em retiro
espiritual.
O micro-ônibus do
Vaticano deixou a Casa Santa Marta às 16h, levando o Papa e seus colaboradores
mais próximos para a casa dos padres Paulinos ‘Divino Mestre’, aonde até
sábado, (23/02) serão feitos os exercícios espirituais de Quaresma.
A primeira meditação, por obra do sacerdote
português José Tolentino de Mendonça, teve como título “Aprendizes do estupor”,
sugerido pelo Evangelho de João.
No texto, Jesus diz à samaritana apenas três
palavras: “Dá-me de beber”. Assim como ela se surpreende com tal pedido, nós
também ficamos desconcertados – antecipou o pregador – porque estas são as
palavras que Jesus dirige a nós:
O cansaço de Jesus
Deste estupor, a meditação passa ao ‘cansaço de Jesus’ e ao
nosso. Podemos entender o diálogo de Jesus com a samaritana somente se
mantivermos diante dos olhos o dom sem limites que Jesus faz de si na cruz. Em
ambas as circunstâncias, o sol diz que é meio-dia, a hora sexta. É a hora
central do dia, o meio do tempo, que marca o antes e o depois. Não é
simplesmente a indicação cronológica, mas o símbolo da passagem de Jesus em
nós. Por isso, explicou o sacerdote, mesmo que o relógio assinale outro
horário, muitas vezes é meio-dia em nossas vidas. Cada vez que nascemos é
meio-dia.
Ele veio nos procurar
Quando Jesus pede ‘Dá-me de beber’, a sua sede não se materializa
na água. É uma sede maior. É sede de alcançar as nossas sedes, de entrar em
contato com os nossos desertos, com nossas feridas. Nós devemos nos comportar
com confiança. Temos que nos reconhecer como ‘chamados’.
Conhecer o dom de Deus
É o Senhor que toma a iniciativa de vir ao encontro de nós. Ele
chega antes ao poço. Quando a samaritana entra em cena, Jesus já está lá,
sentado. Quanto maior é o nosso desejo, o de Deus é sempre maior. Citando um
trecho do ‘Livro dos abraços’ do escritor uruguaio Eduardo Galiano, Padre
Tolentino completou:
Nossa oração sobe até Deus
Com novas citações, de Tolstoj a Fernando Pessoa, a meditação
sugeriu os participantes a “desaprender”:
“Desaprendamos para aprender aquela graça que tornará possível a
vida dentro de nós. Desaprendamos para aprender até que ponto Deus é a nossa
raiz, o nosso tempo, a nossa atenção, a nossa contemplação, a nossa companhia,
a nossa palavra, o nosso segredo, a nossa escuta, a nossa água e a nossa sede”.
Concluindo, Pe. Tolentino exortou os participantes:
“Digamos no nosso íntimo, com toda a verdade de que somos
capazes: ‘Senhor, estou aqui à espera do nada’, ‘Senhor, estou aqui à espera do
nada’. Ou seja, estou apenas à espera de ti, à espera do que és, à espera do
que me dás’.
Fonte:
Vatican News
